top of page
2.jpg

Caroline Veilson

  • Facebook
  • LinkedIn
  • Instagram

Sobre a pesquisa

A pesquisa artística desenvolvida pela artista visual investiga as relações entre memória, afetividade, cotidiano e tempo, articulando procedimentos da gravura, da pintura, da costura e da escrita como campos complementares de reflexão e criação. Desde seus primeiros trabalhos, a pesquisa se estrutura a partir da observação e da coleta de objetos, folhas e vestígios encontrados na cidade e em lugares afetivos, compreendidos como documentos de trabalho e portadores de memórias que transitam entre o individual e o coletivo.

Esses objetos — muitos deles antigos e pertencentes a outras famílias ao longo de gerações — são incorporados à prática artística como formas de apropriação e deslocamento. Ao retirá-los de sua função original e reinscrevê-los no campo da arte, a artista investiga sua permanência como existências estéticas em um espaço-tempo, no qual presença, ausência e memória se entrelaçam. A noção de inventário atravessa esse gesto, não como classificação neutra, mas como operação sensível que pesa, mede e reinscreve o objeto no presente.

Nos primeiros desdobramentos da pesquisa, a artista trabalha com a gravura em litografia tradicional, litografia waterless e monotipias. Paralelamente, passa a fabricar artesanalmente o próprio papel, conferindo ao suporte um papel ativo no processo poético. Produzidos a partir de fibras de bananeira, esses papéis apresentam baixa gramatura, leveza e transparência, com irregularidades calculadas — vincos, espessuras e texturas — que desafiam a neutralidade do suporte. O papel deixa de ser pano de fundo para tornar-se corpo da obra, uma pele sensível que recebe as marcas do tempo e do gesto.

A partir de 2020, a artista passa a observar de forma mais atenta a relação entre luz, espaço e objetos cotidianos. Desse encontro surge um interesse central pela sombra como imagem transitória e instável. A sombra passa a ser compreendida como um duplo do objeto, um vestígio que se forma pela interposição entre a fonte de luz e a superfície, operando como signo simultâneo de presença e ausência.
 

Esse entendimento aproxima a pesquisa de reflexões históricas sobre a origem da imagem, como o mito narrado por Plínio, o Velho, no qual a sombra contornada preserva a imagem do ausente. Assim como na impressão gráfica, a sombra estabelece uma relação dialética entre o que está e o que não está, entre luz e escuridão. 

 

Nesse processo, a artista incorpora materiais e procedimentos disponíveis no cotidiano doméstico, como a máquina de costura, a datilografia, o papel de livro e a pintura com guache. A repetição de pontos em zigue-zague, realizados com a máquina de costura, passa a ocupar áreas antes preenchidas pela sombra dos objetos, criando regiões densas onde desenho, texto e gesto se sobrepõem. A repetição, mediada pelo uso de máquinas, opera como estratégia formal e conceitual, instaurando variações mínimas que evidenciam o tempo do fazer.

A costura assume um papel central na pesquisa. Mais do que unir superfícies, o fio atua como marcador de tempo e gesto ritualístico, repetido, mas nunca idêntico. Cada ponto tensiona a superfície do suporte, evidencia sua fragilidade e funciona como intervalo entre ausência e presença, reforçando a compreensão da memória como um tecido instável, passível de desgaste e ruptura.

Atualmente, a pesquisa se configura como um campo expandido entre gravura, pintura, costura e escrita, no qual objetos, sombras e materiais ordinários são constantemente reativados como dispositivos de memória e atravessamento. O trabalho se estabelece como um processo contínuo de observação, coleta e reinscrição do cotidiano, no qual estrutura e desagregação, cheio e vazio, presença e ausência se alternam como forças constitutivas da imagem.

Exposições

  • Ocre, Galeria Ocre, Porto Alegre/RS. 2025

  • Onde os Jardins se Encontram, Galeria 506, Porto Alegre/RS. 2025

  • Afastar para Aproximar/Borrar os Contornos do Mundo, curadoria Clóvis Martins Costa, Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, Pelotas/RS. 2025

  • Fios, Entre Poéticas e Tramas, Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ. 2024

  • ECOS, Caroline Veilson. Museu do Trabalho, Porto Alegre/RS. 2023 

  • A medida do olhar, curadoria Isabel Sanson Portella, Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ. 2023

  • 23º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre. 2022 

  • Pintura e Desenho - A Novíssima Geração V, Museu do Trabalho, Porto Alegre, 2022 

  • Instante Presente - Bruno Tamboreno e Caroline Veilson, Galeria Edmundo Rodrigues - Palacete Pedro Osório, Bagé/RS, 2021 

  • AR, OÁ Galeria, Vitória/ES. 2020 

  • A Chave de Casa, Curadoria Cesar Kiraly - Galeria Ibeu, Rio de Janeiro/RJ, 2019 

  • Núcleo de Arte Impressa, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo UFRGS, Porto Alegre/RS, 2019 

  • 4ª Global Print, Alijó - Portugal, 2019 

  • Conexões Contemporâneas, Galeria Aberto Caminho de Artes, Porto Alegre/RS, 2019 

  • Balbúrdia I, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre/RS, 2019 

  • Entre Dois - IAB/RS, Porto Alegre/RS, 2018 

  • Exposição Coletiva Núcleo de Arte Impressa - IAB/RS, Porto Alegre/RS, 2018 

  • Futurama 3 - Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS, 2018 

  • Caroline Veilson e Lurdi Blauth – Galeria do Goethe-Institut, Porto Alegre/RS, 2017 

  • Dialogando com a Imagem - Casa de Cultura Pedro Wayne, Bagé/RS - 2017 

  • Processos alquímicos: Processos Antigos em Fotografia – Casa de Cultura Mario Quintana, 3° andar, Porto Alegre/RS – 2017 

bottom of page